sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Andar em círculos...

Era como seu eu andasse em círculos. Como se a vida fosse uma sala circular tão ampla que a vista não alcançava o lado oposto. Lado não, salas circulares não tem lados. Enfim, era como se nesta sala circular não houvesse de fato paredes. Em seu lugar haviam portas lado a lado esperando para serem abertas. Em cada porta uma surpresa. Ou não. Talvez em cada porta houvesse apenas mais uma sala semelhante à outra de que acabara de sair. Com mais portas emparelhadas. Em algumas salas encontramos outras pessoas na mesma situação. Algumas nos indicam portas a seguir, das quais já vieram. Algumas nos acompanham neste caminho durante algum tempo. Deixam marcas, saudades da caminhada. Outros simplesmente passam por nós, sem mudar nossos rumos. Qual nosso objetivo nesse labirinto de amplas salas circulares e portas? Descobrir o seu fim. Se é que ele existe. Ou apenas encontrar uma sala que nos agrade e ali permanecer por um tempo.
Era como se eu andasse em círculos, e a cada círculo uma nova descoberta. Por vezes encontro salas que me agradam, ou pessoas com quem conversar, compartilhar idéias, ideais. Algumas ficam por um tempo. Outras logo se vão. Por vezes, ainda, me sento no centro da sala, porque afinal, salas circulares não tem cantos. Me sento, cansada de buscar o desconhecido. Começam a passar pela minha cabeça diversas cenas de salas longínquas, já visitadas. E então espero por alguém que volte para a sala onde me encontro. Por vezes minha insana vontade de sair em busca desse alguém se acentua, mas logo minha razão me trás à realidade, mostrando todas dificuldades do caminho. Então volto ao eu estado de inércia, inquieta por me sentir impotente. E o tempo passa. Quem sabe um dia, este alguém consiga encontrar o caminho de volta, seja sozinho, seja guiado por outros. Vou continuar no meu lugar, estática. Ou talvez me mova. Se isso aconteces, irei sinalizar, nortear o caminho pro meu encontro. E nessas idas e vindas, quem sabe eu me encontre. Quem sabe? Talvez nos encontremos no fim do labirinto. Se é que ele tem fim. Pra finalizar este texto um pouco insano, um pouco meditativo, tomo como minhas palavras de uma música: "Enquanto isso, a vida vai passando..."

2 comentários:

  1. Sabe quando a gente está comendo alguma coisa de que gosta muito? Daí vai saboreando devagar, pedaço por pedaço, torcendo para que nunca acabe? Foi essa a sensação que tive ao ler seu texto. Na minha opinião, o mais inspirado.
    Deu até pra sentir cheiro de alma nele...
    Obrigado.
    Ed.

    ResponderExcluir
  2. "Você me pergunta
    Aonde eu quero chegar
    Se há tantos caminhos na vida
    E pouca esperança no ar.."

    Começo meu comentário com estes versos de "Caminhos", de Raul Seixas...

    Sempre nos perguntamos sobre nossos caminhos, os meus, os teus, os nossos... e tão poucas respostas achamos.

    Mas, de um lado, talvez o melhor da vida se encontre no caminhar, não no destino.

    Nesses encontros que nos moldam, que nos dão força...

    E que os nossos ainda se cruzem, muito, pela vida...

    Abraceijos...

    ResponderExcluir