Nós escutamos muito as frases: "Antigamente era tudo tão mais fácil..."; "Hoje em dia os jovens não querem nada..."; "As pessoas hoje em dia estão muito acomodadas..."; "Na minha época...". Ouvimos isso e temos a falsa impressão de que o mundo está perdido, que não há quem queira modificar a realidade, que a juventude não busca melhorias e que a realidade é dura, mas não conseguimos fazer voltar as coisas boas do passado... Mas, será mesmo?
Será que as coisas hoje em dia não são tão complicadas pelo fato de nós mesmos a complicar? Certo é que nem sempre depende da gente realizar mudanças e descomplicar as coisas. Ninguém é uma ilha e não conseguimos nada isolados... Mas às vezes penso que nos falta a humildade pra reconhecermos nossos erros e sobra orgulho para tentar ajudar aos outros.
Numa conversa com um grande amigo, acabei percebendo que muitos estão cansados de "bater na mesma tecla" e brigar por um propósito que não vem sendo o comum. Um propósito que é muitas vezes incoompreendido, mas que funciona já a muito tempo e que, por um mero orgulho ferido, grandes causas vão esmoecendo, perdendo a força e ganhando uma cara oposta ao que um dia foi proposto...
Ainda nessa mesma linha de pensamento me vem a frase que me entristece profundamente...
Uma vez ouvi de um padre a frase que me cortou o coração: " A juventude de hoje em dia não trabalha, só sabe reclamar..."
No momento que ouvi a frase, me veio na cabeça uma vontade de gritar pra todo mundo ouvir que não é verdade!
Existe sim uma juventude que não conhece o seu lado ativo, que é acomodada e que não pensa no que os outros fazem, só reclamam do trabaho pronto. Mas hoje em dia devemos perceber que não existe e nunca existiu juventude, e sim juventudeS... Existe também um lado que luta, um lado que corre atrás, um lado jovem que é muitas vezes reprimido ou ocultado. E tudo por vaidades de quem não entende nossa luta por espaço, somente gosta de receber os louros por uma batalha vencida, não pelas mãos próprias. Vangloriar-se pelo trabalho cumprido por outros é muito fácil. Difícil é "pôr a mão na massa" e continuar um trabalho conquistado por muita luta e com uma cara que só quem tem, entende como se faz...
Não quero aqui me dizer superior a alguém, e dizer que é correto o meu modo de fazer... Só me indigna o fato de quererem "roubar" um espaço conquistado por esforço, por mérito de alguns pra modificar uma batalha já conquistada. E mais ainda, me indigna o fato de ninguém fazer nada pra mudar isso! E é aí que entra o raciocínio de antes. Não depende só de mim, ou de você que lê hoje esse post. Depende de mais que isso. Existe toda um hierarquia, toda uma burocracia, que devemos executar sorrindo como se fosse a melhor coisa do mundo, ou então somos taxados de pessoas de coração fechado a novas mudanças, seres mundanos ou algo do tipo. É a triste realidade...
Mas perante a esse desabafo (foi um desabafo para mim), que tento perturbar, provocando mudanças. Juntos podemos mais. Essas história de antigamente era tudo mais fácil, as coisas boas não voltam, não existe. Nós somos os protagonistas da vida. Somos os autores da nossa própria história. E tudo aquilo que escrevemos, podemos um dia realizar. Basta querermos, e com certeza encontraremos quem possa nos ajudar a realizar. E para ajudar também basta querer. Nada dessa história de ser independente. Para se fazer revoltas, basta ser independente, mas é necessário mais de um pra se fazer uma revolução.
Anjinho...
ResponderExcluirEnquanto houver voz que grite e dê vazão a justa indignação, haverá esperança de um novo tempo. Apesar dos perigos (parafraseando Ivan Lins)...
Por gente assim, como tu, derramamos lágrimas, nos emocionamos. É gente como você que justifica nossa existência, nossa luta, nossa dor.
Abraceijos, com carinho...
Você me fez lembrar a música "Como nossos pais" de Belchior interpretada na voz de Elis Regina. Nesta canção há uma frase que grita também o seu grito: "Você diz que depois deles não apareceu mais ninguém".
ResponderExcluirObrigado pelas palavras afiadas e revoltadas...pude até ouvir os ecos do seu coração nelas.
T.A.