Esse ímpeto e escrever sempre vem nas fases mais confusas.
Ou pra expressar o sentimento presente.
Dessa vez é diferente.
Ela resolveu escrever só por escrever. Só pra reavivar uma coisa para qual ela tinha talento.
Ou achava que tinha. Mas ultimamente ela anda reavivando isso. Recriando-se, reinventando-se. Isso pode se dar por uma mudança de postura interna.De uma mudança nela mesma. E isso se dá nas situações de perigo.
Ela percebe os perigos com facilidade, mas geralmente não reage, até que eles sejam totalmente iminentes.
O engraçado é a forma com que ela é subestimada a todo tempo. Mesmo sendo atenta, esperta, inteligente, insistem em pensar que é boba, leviana, ingênua. Pode ser.
O seu jeito desengonçado de ser esconde muita coisa. E um delas é como ela pode se tornar fria quando quer.
E irônica também.
E pra isso acontecer, não é tão difícil. Fira o orgulho dela. Assim verá do que ela é capaz.
Não cruel, isso ela nunca será. Mas quando quer e precisa sabe ser bem racional, e se encher de amor próprio, erguer a cabeça e dizer (pra si mesma): Tá vendo? Eu sou assim. E gosto que deem valor ao que eu sou. E gosto que seja recíproco. Se eu sou sincera contigo, gosto que também seja comigo. É questão de consideração. Se me considera, não deixe que eu descubra que sou a última a saber, minimamente o que peço é que seja franco comigo e me diga o que está acontecendo. Se não é assim, não serve. E se não serve, tchau. Agora tô assim, Ressignificando minha vida. E se o significado que encontro agora não me agrada, tô indo pra outra. Já tentei demais encontrar o significado bom disso. Agora aguente.
E se essa decisão ela tomou pra si mesma, tá decidido. Não tem volta. Essa força que ela leva consigo se torna também um peso de cada decisão de vida. Pra mudar tem que ter o dobro de força. Ou saber dobrá-la. Algumas pessoas fazem isso bem até, mas não tentem fazer na fase do orgulho ferido-latejando. Não vai funcionar.
E cuidado. Nessa fase, cada palavra sua pode ser interpretada de forma com que ela fique contra você. E a memória dela é boa. Lembrará coisas que você disse há muito atrás, ou algo que não ficou tão bem resolvido assim e esse será o momento de colocar tudo na mesa (pode ser pela décima vez, é característico dela, aceite).
E quando isso acontecer, é bom ter paciência. Bom pra você.
Então, é como diz Oswaldo Montenegro: "Você me disse que eu destruo sempre a sua mais romântica ilusão, e que destruo sempre com minha palavra o que me incomodou. Acho que é sim. Como fere e faz barulho um bicho que se machucou."
Ela é assim. Orgulhosa. E dificilmente vai mudar. Tente evitar. Se não conseguiu, tente melhorar, mas não garanto que ela vai lhe dar uma segunda chance. Não mesmo.
Errou uma vez acabou. Bom, não é bem assim. Mas quando a falta é grave, fica difícil de reconsiderar.
Mas agora ela ressignificou tudo isso. Então não deve adiantar muito se explicar. Nada que diga vai melhorar. É isso. Orgulho faz isso com as pessoas.
Orgulho não. Orgulho ferido. E curar isso demora. Então não tente se não tiver paciência. Se feriu o orgulho dela é sinal de que não a teve antes. Então é bom ter agora. Se quiser ter uma amiga. Senão, deixe pra lá. Mas cuidado.