Quanto mais esfriava o dia, mais a vontade de sair se retirava dela.
De repente toda aquela expectativa, toda esperança se misturava àquela nostalgia quase melancólica.
E ela se agoniava por não saber o porquê desta sensação.
Preocupação? Talvez. Mas sem saber ao certo com o que estava preocupada de nada serviria aquela hipótese para explicar o mix de emoções.
A música ao fundo ajudava na confusão mental.
Cada nova palavra pronunciada melodiosamente pelo cantor a fazia ter diferentes visões.
Mas aquela estranha sensação que dela se apoderava, incomodava.
Poderia ser o fato de não poder controlar ou realizar os desejos que outrora rezava pro ano que se iniciava.
Por onde começar não seria a pergunta certa, e sim o que fazer?
E quanto mais este sentimento de perda de rumo se apoderava dela ela procurava errôneamente culpados.
Não para o que acontecia no momento. Não.
Até mesmo porque no momento ela não percebia o que acontecia ao seu redor.
O clima, a música, o ambiente a convidavam a voltas e mais voltas no passado, e vário episódios, importantes ou não, recentes ou não, rodeavam sua cabeça.
Era a estranha mania que tinha de desenterrar aquelas coisas passadas e desimportantes para analisar os fatos, talvez ela pensasse que isso ajuda a entender o presente, e talvez realmente ajudava.
Então de súbito uma vontade egoísta dela se apoderava e a vontade que tinha era de tomar todas as dores e questionar tudo. Rebelar-se, revoltar-se.
Mas de repente ela repensava em tudo e perecebia que se alguma atitude fosse tomada por ímpeto apesar de poder mudar tudo, poderia não mudar da forma que ela quisera.
Então ela voltava ao estado inicial de não saber o que fazer.
Ela queria mudar. Talvez só pra sair da rotina.
Às vezes ela queria ser aquela que não sabe nada, assim como era tratada. Como uma pessoa muito inocente, indefesa.
E de súbito ela se agradava de ser quem era, e queria mostrar a todos o tamanho de sua força e vontade de ajudar.
Mas por mais que tentasse, ela não conseguia deixar de ser quem era, e era melhor assim.
Por que quando a gente tenta mudar o rumo dos rios eles secam, quando a gente tenta modificar a natureza ela morre. E quando tentamos mudar nossas atitudes, muitas vezes elas se tornam superficiais.
E a gente deixa de ser quem é.
Então, por um impulso ela saiu, e resolveu enfrentar o mundo com a cara e a coragem de ser quem era.
E o mundo passou a olhá-la de uma forma diferente.
E ela gostava disso, e resolveu não parar, e modificar o mundo à seu modo.
Porque quando a gente se move, os outros se movem conosco.
Pra mudar o mundo, primeiro é necessário mudar a si. E esse exemplo outros resolvem seguir. São assim que ocorrem as grandes revoluções.