segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Abismos

A sensação de abismo é extremamente curiosa; ela aparece em momentos de grandes decisões.Ela vem de dentro da gente e mexe com nossos sentidos. O mais curioso é quando existe essa vontade de dele saltar de cabeça. Não que se tenha tendências suicidas, mas a vontade de experimentar a sensação de voo livre, mesmo que perigosa, muitas vezes atrai o ser humano.
Quando se resolve saltar deste abismo é o momento em que de certo modo se têm a sensação de que algo irá te amparar, ou que alguém lá embaixo irá te segurar.Depois que se saltou, há um sentimento de euforia, de plena liberdade, de coragem. Aquele frio na barriga, o vento batendo no rosto, a visão diferenciada das paisagens antes tão conhecidas. É como mergulhar no desconhecido.
Após algum tempo de queda, o medo pode começar a aparecer. A primeira impressão de beleza vai dando lugar à profunda escuridão, e é preciso não prestar atenção às vozes externas ouvidas. É preciso se concentrar na beleza antes vista e na coragem sentida para encarar a queda livre, e é importante lembrar que lá embaixo exite amparo. Mesmo que seja depois, pra ajudar a fechar as feridas ocasionadas no percurso.
De volta à terra, com os pés bem firmes no chão, se olha para o alto, e vê que se vale a pena ter saltado. Mesmo que seja apenas pela experiência de liberdade, e de ter alguém ou algo pra te amparar no momento mais difícil. A queda pode ser breve, e logo passar ou pode demorar o tempo que parece uma eternidade. A sensação de pés firmes no chão também. Tudo pode acontecer nessas idas e vindas nos abismos do coração.
E na minha queda interminável, ainda aguardo pela sensação de total amparo, onde com os pés firmes no chão irei seguir. E aí eu vou rir dos medos e angústias e me encantar e re-encantar com as belezas vividas. E esperar pelas belezas que também existem em terma firme.
Meu conselho? Arrisquem-se a saltar nos abismos. Numa queda dessas a pior coisa que se pode acontece é quebrar a cara lá embaixo e depois de se curar, começar tudo de novo. Mas devo advertir, pulem conscientes do abismo, não saiam por aí saltando de qualquer um, pois a sensação de cada abismo, boa ou má, é única, e pular constantemente pode deixar marcas permanentes.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Encontro

Os passos pareciam pesar, o caminho parecia não ter fim, e os minutos pareciam não passar. Talvez fosse a ansiedade de chegar ao topo. Talvez o medo do que estava por vir. A sensação do novo pode assustar. Mas bem no alto, onde a vista alcança os lugares mais longínquos e as mais belas paisagens, de onde se pode olhar mais distante, de onde o mundo parece estar nas mãos, deu-se o encontro.

Lá, a inquietude encontrou paz, as perguntas se calaram e a insegurança teve fim. O coração encontrou acalento, e seu rápido tique-taquear voltou ao ritmo natural. A imaginação tomou outro rumo e a razão se deixou levar. A força foi acomodando-se e a certeza enfim retornou, voltando ao seu lugar.

Agora o tempo parecia não parar, e os pesados passos se tornaram um leve flutuar. O fim do caminho se apresentou como um grande salão, repleto de portas a serem ainda abertas e caminhos a serem desbravados.Porém, agora a coragem de abri-las se fez presente.

O encontro com o topo do mundo fizera estes progressos e a caminhada anterior tomou novos rumos, novas esperanças. E tudo isto por causa de um encontro. No topo do mundo a gente encontra muito mais que uma bela vista. Conquista também esperanças de um futuro próximo e tão sonhado. E muito melhor.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Saudades

Por mais que seja algo esperado, destinado, a perda sempre é dolorosa.
Por mais egoísta que pareça, por mias que saibamos ser melhor assim, o sentimento de vazio nos invade a alma, mesmo lutando contra ele.
E ainda, por mais que por fora, estejamos fortes, rígidos, por dentro estamos fracos, esguios, em pedaços.

Perder um ente querido, é saudoso, mas sinto que o pior, é ver a tristeza no olhar dos outros.
É ver sua dor refletida fortemente no espelho do olhar alheio, de pessoas próximas de você, ou nem tanto.

Mesmo sabendo que a nossa perda, é um ganho a quem está partindo, não podemos nos separar do sentimento de saudade que no fica cravado no peito.
Momentos únicos começam a passar como um filme em nossa cabeça e sensações antigas tomam conta de nós.

E é neste momento, com todas estas sensações fervilhando em minha cabeça, que escrevo em memória de minha Avó, que já andava muito adoentada, mas que sua partida nos causará eternas saudades...

Vó, te amo.... Agora que está junto de Deus, olha por nós...
Que seu descanso nos conforte neste momento difícil, e obrigado a todos os amigos, quem em orações, palavras ou atos, me dão forçar pra caminhar e seguir adiante de pé, pra que eu possa ser base pra quem precisa de apoio com esta perda.

Obrigado por tudo vó, e fique em paz.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Mudança

Quanto mais esfriava o dia, mais a vontade de sair se retirava dela.
De repente toda aquela expectativa, toda esperança se misturava àquela nostalgia quase melancólica.
E ela se agoniava por não saber o porquê desta sensação.
Preocupação? Talvez. Mas sem saber ao certo com o que estava preocupada de nada serviria aquela hipótese para explicar o mix de emoções.
A música ao fundo ajudava na confusão mental.
Cada nova palavra pronunciada melodiosamente pelo cantor a fazia ter diferentes visões.
Mas aquela estranha sensação que dela se apoderava, incomodava.
Poderia ser o fato de não poder controlar ou realizar os desejos que outrora rezava pro ano que se iniciava.
Por onde começar não seria a pergunta certa, e sim o que fazer?
E quanto mais este sentimento de perda de rumo se apoderava dela ela procurava errôneamente culpados.
Não para o que acontecia no momento. Não.
Até mesmo porque no momento ela não percebia o que acontecia ao seu redor.
O clima, a música, o ambiente a convidavam a voltas e mais voltas no passado, e vário episódios, importantes ou não, recentes ou não, rodeavam sua cabeça.
Era a estranha mania que tinha de desenterrar aquelas coisas passadas e desimportantes para analisar os fatos, talvez ela pensasse que isso ajuda a entender o presente, e talvez realmente ajudava.
Então de súbito uma vontade egoísta dela se apoderava e a vontade que tinha era de tomar todas as dores e questionar tudo. Rebelar-se, revoltar-se.
Mas de repente ela repensava em tudo e perecebia que se alguma atitude fosse tomada por ímpeto apesar de poder mudar tudo, poderia não mudar da forma que ela quisera.
Então ela voltava ao estado inicial de não saber o que fazer.
Ela queria mudar. Talvez só pra sair da rotina.
Às vezes ela queria ser aquela que não sabe nada, assim como era tratada. Como uma pessoa muito inocente, indefesa.
E de súbito ela se agradava de ser quem era, e queria mostrar a todos o tamanho de sua força e vontade de ajudar.
Mas por mais que tentasse, ela não conseguia deixar de ser quem era, e era melhor assim.
Por que quando a gente tenta mudar o rumo dos rios eles secam, quando a gente tenta modificar a natureza ela morre. E quando tentamos mudar nossas atitudes, muitas vezes elas se tornam superficiais.
E a gente deixa de ser quem é.
Então, por um impulso ela saiu, e resolveu enfrentar o mundo com a cara e a coragem de ser quem era.
E o mundo passou a olhá-la de uma forma diferente.
E ela gostava disso, e resolveu não parar, e modificar o mundo à seu modo.
Porque quando a gente se move, os outros se movem conosco.
Pra mudar o mundo, primeiro é necessário mudar a si. E esse exemplo outros resolvem seguir. São assim que ocorrem as grandes revoluções.